Parque Central do Cartaxo
Realizados entre 12 de Maio e 27 de Outubro de 2010, estes labores arqueológicos integraram-se no projecto desenvolvido para a execução do Parque Central do Cartaxo. Levou-se a cabo o acompanhamento arqueológico de todas as remoções e movimentações de terra no solo e subsolo, assim como dos trabalhos de contenção periférica, designadamente, perfurações para a instalação de infraestruturas de estacaria.
Os trabalhos de remoção mecânica para a instalação do Parque Subterrâneo Automóvel permitiram identificar contextos arqueológicos preservados que tudo indicava pertencerem a um antigo complexo religioso. De facto, informações anteriores a esta intervenção remetiam para a fundação de um convento, datado do início do séc. XVI, sobre um antigo hospital de assistência a necessitados, com a designação de Espírito Santo, desconhecendo-se, porém, a sua localização exacta.
Durante os trabalhos de execução de plataformas, a ocorrência de estruturas conjuntamente com a de zonas de enterramentos bem definidos e preservados – necrópole – permitiu sugerir a hipótese citada, que veio a ser confirmada por intervenções arqueológicas posteriores. Dados históricos apontam a década de 30 do séc. XIX como o período de extinção das ordens religiosas, podendo-se assim concluir que o Convento do Espírito Santo não escapou a esta realidade.
Entra-se deste modo numa nova ocupação do espaço, exemplificada pelas estruturas de calçada visíveis na Área VIII. Verificou-se esta mesma realidade nos depósitos iniciais removidos nesta área, onde se observaram materiais recentes conjuntamente com vestígios osteológicos humanos, demonstrando uma perturbação da zona da necrópole por intervenções posteriores.
Idêntica conclusão foi sugerida pela estrutura em alvenaria (manifestamente afectada) na Área II, da qual se depreendeu que, tendo possivelmente tido uma configuração e dimensão diferentes, em determinado momento sofreu uma afectação, provavelmente resultante das transformações e intervenções urbanísticas de que o local foi alvo.
Quanto ao espólio encontrado, deparámo-nos com materiais numismáticos cujo mau estado de conservação não permitiu uma análise nesta fase. Contudo, os materiais cerâmicos corresponderam, quer quanto à sua tipologia, quer quanto ao fabrico e diversidade, a um período cronológico situado nos sécs. XVII e XVIII.
39.158868, -8.787018